Saracura Vive: Diálogos entre memórias negras e paisagem urbana no Bixiga
DOI:
https://doi.org/10.47734/regrasp.v11.01.p161-173Palavras-chave:
Bixiga, memória negra, quilombo Saracura, territórios negros, paisagem urbanaResumo
A presente pesquisa investigou o histórico do Quilombo Saracura, localizado no bairro do Bixiga, a partir de suas contribuições para o desenvolvimento do espaço urbano. O estudo evidencia as memórias e a ancestralidade dos valores da cultura africana e afro-brasileira, destacando a redescoberta do quilombo e do material arqueológico durante as obras da futura estação da Linha 6-Laranja do metrô. Metodologicamente, a pesquisa estruturou-se em revisões bibliográficas, análises documentais e em uma visita de campo. Analisou-se a participação negra na formação do Bixiga em articulação com as dinâmicas socioculturais contemporâneas, enfatizando a presença ativa de mobilizações focadas na proteção e na valorização das memórias afrorreferenciadas. Por meio de uma narrativa contracolonial, o trabalho buscou contribuir com o ensino das relações étnico-raciais nas áreas de arquitetura, urbanismo e correlatas. O objetivo central consistiu em posicionar o corpo negro como protagonista e narrador de suas próprias trajetórias, intrinsecamente conectadas à história do bairro. As reflexões demonstram que a salvaguarda do Sítio Arqueológico Saracura/Vai-Vai transcende a proteção de estruturas físicas, configurando-se como uma disputa fundamental por narrativas na paisagem urbana contemporânea. O artigo ressalta, assim, a urgência de incorporar epistemologias ancestrais na leitura do patrimônio arquitetônico e cultural.
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