Saracura Vive: Diálogos entre memórias negras e paisagem urbana no Bixiga

Palavras-chave: Bixiga, memória negra, quilombo Saracura, territórios negros, paisagem urbana

Resumo

A presente pesquisa investigou o histórico do Quilombo Saracura, localizado no bairro do Bixiga, a partir de suas contribuições para o desenvolvimento do espaço urbano. O estudo evidencia as memórias e a ancestralidade dos valores da cultura africana e afro-brasileira, destacando a redescoberta do quilombo e do material arqueológico durante as obras da futura estação da Linha 6-Laranja do metrô. Metodologicamente, a pesquisa estruturou-se em revisões bibliográficas, análises documentais e em uma visita de campo. Analisou-se a participação negra na formação do Bixiga em articulação com as dinâmicas socioculturais contemporâneas, enfatizando a presença ativa de mobilizações focadas na proteção e na valorização das memórias afrorreferenciadas. Por meio de uma narrativa contracolonial, o trabalho buscou contribuir com o ensino das relações étnico-raciais nas áreas de arquitetura, urbanismo e correlatas. O objetivo central consistiu em posicionar o corpo negro como protagonista e narrador de suas próprias trajetórias, intrinsecamente conectadas à história do bairro. As reflexões demonstram que a salvaguarda do Sítio Arqueológico Saracura/Vai-Vai transcende a proteção de estruturas físicas, configurando-se como uma disputa fundamental por narrativas na paisagem urbana contemporânea. O artigo ressalta, assim, a urgência de incorporar epistemologias ancestrais na leitura do patrimônio arquitetônico e cultural.

Biografia do Autor

Beatriz Silva Santana, Instituto Federal São Paulo

Graduada em Arquitetura e Urbanismo pelo Instituto Federal de São Paulo (IFSP) em 2025, desenvolveu nos anos de 2021, 2022 e 2023, pesquisas de Iniciação Científica voltadas à influência e às contribuições da diáspora ÁfricaBrasil em suas dimensões materiais e imateriais na formação e desenvolvimento da sociedade brasileira. Sua monografia de conclusão de curso, intitulada ''Saracura vive: memórias negras, territórios e paisagens nas encruzilhadas urbanas do Bixiga'', dá continuidade a essa trajetória investigativa, abordando as relações étnico-raciais no bairro do Bixiga, na cidade de São Paulo, a partir do campo do paisagismo, com enfoque nas interseções entre memória, espaço urbano e natureza. Atualmente, segue desenvolvendo pesquisas, fora do âmbito acadêmico institucional, mantendo o interesse nas temáticas de memória negra, paisagem urbana e justiça socioespacial.

Giselly Barros Rodrigues, Instituto Federal de São Paulo

Pós-doutoranda pela Universidade Federal da Bahia - UFBA (2025), Doutora em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2018) - bolsista CAPES, Mestre em Habitação pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo - IPT (2012), Arquiteta e Urbanista graduada pela Universidade Anhembi Morumbi (2002). Professora e pesquisadora da Paisagem, Urbanismo e Arquitetura no Instituto Federal de São Paulo (IFSP) - Campus São Paulo, Departamento de Construção Civil, atuando principalmente no curso de Arquitetura e Urbanismo, além da Engenharia Civil. Integrante do NDE - Núcleo Docente Estruturante do curso de Arquitetura e Urbanismo do IFSP. Líder do GEPRETAS (Grupo de Estudos e Pesquisas das Relações Étnico-raciais no Território, Arquitetura e Sociedade), integrante do Núcleo de estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) e membro da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN). Orienta, no IFSP campus São Paulo, pesquisas de Iniciação Científica, contempladas com Bolsas PIBIC, PIBIC-AF (CNPq) e PIBIFSP, projetos de extensão e ensino contemplados com bolsas do IFSP e Trabalhos de Conclusão de Curso na graduação e pós-graduação. Autora do livro ''Ruas, ritmos e raízes: Territórios Negros nas encruzilhadas urbanas de São Paulo'' (2025). Integrou a comissão julgadora da 25 Premiação do Instituto de Arquitetos do Brasil (IABsp) 2023 e no mesmo ano foi membro titular da banca para concurso de professores na FAUUSP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo). Foi consultora de paisagismo do projeto premiado em terceiro lugar no Concurso Internacional para o Centro Cultural Rio-África (2024) e recebeu o prêmio no Programa Ancestralidades de Valorização à Pesquisa (2024) financiado pelo Itaú Cultural e Fundação Tide Setubal com o projeto TENEGRES BRASILÂNDIA. Suas pesquisas concentram-se nos estudos dos espaços urbanos públicos e de uso público, espaços livres, arquitetura da paisagem, territórios negros, memórias e identidades negras e periféricas e projetos arquitetônicos afrocentrados. Além disso, ministra palestras, cursos e formações e compõe Bancas de Heteroidentificação em processos seletivos.

Referências

Bastos, S. (Org.). (2021). Migração e turismo na cidade de São Paulo: Liberdade e Bixiga em perspectiva. Provisório Produções; Modi Produções.

Brito, G. A., Mendonça, P. H. R., & Rolnik, R. (2023). Territórios de exclusividade branca: Segregação, negação e enfrentamento do racismo no planejamento urbano da cidade de São Paulo. Revista Brasileira de Direito Urbanístico, 9(17), 35–59. https://biblioteca.ibdu.org.br/direitourbanistico/article/view/890

Castro, M. S. (2008). Bexiga: Um bairro afro-italiano. Annablume.

Lucena, C. T. (1984). Bairro do Bexiga: A sobrevivência cultural. Brasiliense.

Marzola, N. (1979). Bela Vista: História dos bairros de São Paulo (Vol. 15). Secretaria Municipal de Cultura, Departamento do Patrimônio Histórico.

Moura, C. (1987). Quilombos: Resistência ao escravismo. Ática.

Nascimento, A. (2002). O quilombismo: Documentos de uma militância pan-africanista (2ª ed.). Fundação Palmares; OR Editor Produtor.

Neres, F. S. (2023). Processos de despossessão no território negro do samba: O Vai-Vai do Bixiga [Dissertação de Mestrado, Universidade de São Paulo].

Panta, M. (2019). População negra e o direito à cidade: Interfaces sobre raça e espaço urbano no Brasil. Acervo, 33(1), 79–100. https://doi.org/10.64729/an.acervo.v33i1.1521

Rodrigues, G. B. (Org.). (2025). Ruas, ritmos e raízes: Territórios negros nas encruzilhadas urbanas de São Paulo. EDIFSP.

Rolnik, R. (1989). Territórios negros nas cidades brasileiras: Etnicidade e cidade em São Paulo e Rio de Janeiro. Revista de Estudos Afro-Asiáticos, (17).

Santos, M., & Becker, B. K. (Orgs.). (2008). Território, territórios: Ensaios sobre o ordenamento territorial (3ª ed.). Lamparina.

Soares, R. S. (1999). O cotidiano de uma escola de samba paulistana: O caso do Vai-Vai [Dissertação de Mestrado, Universidade de São Paulo].

Sommer, M. F. (2005). Territorialidade negra urbana: A morfologia sócio-espacial dos núcleos negros urbanos segundo a herança histórica comum [Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul].

Publicado
2026-04-02
Como Citar
Silva Santana, B., & Rodrigues, G. (2026). Saracura Vive: Diálogos entre memórias negras e paisagem urbana no Bixiga. Revista Para Graduandos/Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia De São Paulo - Campus São Paulo - REGRASP, 11(1), 161-173. Recuperado de https://regrasp.spo.ifsp.edu.br/index.php/regrasp/article/view/1333
Seção
Artigos