A paisagem como memória: percursos territoriais do poeta negro Oswaldo de Camargo

Palavras-chave: memória, territórios negros, oralidade, cartografia afetiva, paisagem

Resumo

Este trabalho tem como objetivo investigar a trajetória de vida e produção literária de Oswaldo de Camargo, destacando sua relevância como intelectual negro e narrador das cidades. A pesquisa articula oralidade, memória e literatura para compreender como os territórios e paisagens por onde o autor passou, desde cidades do interior paulista, como São José do Rio Preto, Poá e Bragança Paulista, até bairros como Limão, Perdizes e Lauzane Paulista em São Paulo, marcaram suas experiências e atravessaram sua escrita. A metodologia envolve entrevista com o autor, análises literárias, cartografia afetiva dos locais onde viveu e referenciais teóricos dos campos dos estudos étnico-raciais e dos territórios negros urbanos. Através do cruzamento entre memória pessoal e crítica social, observa-se como a oralidade atua como ferramenta de resistência e produção de conhecimento. Os resultados evidenciam o apagamento do autor pelo cânone literário, apesar de sua importância histórica e intelectual, e revelam o contraste entre as experiências afetivas da infância no interior e os impactos do racismo vividos na capital paulista. O estudo reforça a importância em ouvir e cartografar as histórias de vida de pessoas negras como forma de valorizar e difundir suas narrativas, seus territórios de pertencimento e suas paisagens de memória.

Biografia do Autor

Rafael Dalceno Andreassa, Instituto Federal de São Paulo

Estudante de Arquitetura e Urbanismo pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) - Campus São Paulo, membro do Grupo de Estudos e Pesquisas das Relações Étnico-raciais no Território, Arquitetura e Sociedade - GEPRETAS, integrante do Projeto de Extensão "TENEGRES - Territórios Negros e as Escolas: Poeta Oswaldo de Camargo e as conexões com a Zona Norte de São Paulo", Bolsista de Iniciação Científica pelo PIBIFSP 2025 e Técnico em Edificações formado pela ETEC Getúlio Vargas.

Giselly Barros Rodrigues, Instituto Federal de São Paulo

Pós-doutoranda pela Universidade Federal da Bahia - UFBA (2025), Doutora em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2018) - bolsista CAPES, Mestre em Habitação pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo - IPT (2012), Arquiteta e Urbanista graduada pela Universidade Anhembi Morumbi (2002). Professora e pesquisadora da Paisagem, Urbanismo e Arquitetura no Instituto Federal de São Paulo (IFSP) - Campus São Paulo, Departamento de Construção Civil, atuando principalmente no curso de Arquitetura e Urbanismo, além da Engenharia Civil. Integrante do NDE - Núcleo Docente Estruturante do curso de Arquitetura e Urbanismo do IFSP. Líder do GEPRETAS (Grupo de Estudos e Pesquisas das Relações Étnico-raciais no Território, Arquitetura e Sociedade), integrante do Núcleo de estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) e membro da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN). Orienta, no IFSP campus São Paulo, pesquisas de Iniciação Científica, contempladas com Bolsas PIBIC, PIBIC-AF (CNPq) e PIBIFSP, projetos de extensão e ensino contemplados com bolsas do IFSP e Trabalhos de Conclusão de Curso na graduação e pós-graduação. Autora do livro "Ruas, ritmos e raízes: Territórios Negros nas encruzilhadas urbanas de São Paulo" (2025). Integrou a comissão julgadora da 25 Premiação do Instituto de Arquitetos do Brasil (IABsp) 2023 e no mesmo ano foi membro titular da banca para concurso de professores na FAUUSP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo). Foi consultora de paisagismo do projeto premiado em terceiro lugar no Concurso Internacional para o Centro Cultural Rio-África (2024) e recebeu o prêmio no Programa Ancestralidades de Valorização à Pesquisa (2024) financiado pelo Itaú Cultural e Fundação Tide Setubal com o projeto TENEGRES BRASILÂNDIA. Suas pesquisas concentram-se nos estudos dos espaços urbanos públicos e de uso público, espaços livres, arquitetura da paisagem, territórios negros, memórias e identidades negras e periféricas e projetos arquitetônicos afrocentrados. Além disso, ministra palestras, cursos e formações e compõe Bancas de Heteroidentificação em processos seletivos.

Referências

Camargo, O. D. (2017). Diálogos Ausentes. São Paulo, [Entrevista concedida a] Gabriel Carneiro.
Camargo, O. D. (2025). Entrevista sobre Vida e Obra com Oswaldo de Camargo. São Paulo, [Entrevista concedida a] Rafael Dalceno Andreassa.
Camargo, O. D. (2021). O Carro do Êxito. São Paulo, SP: Companhia das Letras.
Lima, R. D. (2023). A voz negra, o corpo negro e seu ato de resistência: a poesia de mulheres negras no circuito dos slams na cidade de São Paulo. Revista Terceira Margem, 27(51), 54-77.
Cunha Júnior, H. (2019). Bairros Negros: A forma urbana das populações negras no Brasil. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) - ABPN, 11, 65-86. Recuperado de https://abpnrevista.org.br/site/article/view/683/611.
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Publicado
2025-12-04
Como Citar
Andreassa, R., & Rodrigues, G. (2025). A paisagem como memória: percursos territoriais do poeta negro Oswaldo de Camargo. Revista Para Graduandos/Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia De São Paulo - Campus São Paulo - REGRASP, 10(4), 53-58. Recuperado de https://regrasp.spo.ifsp.edu.br/index.php/regrasp/article/view/1297