Recriando Quilombos: arquivos coloniais, fabulação crítica e futuros insurgentes no ensino de Arquitetura e Urbanismo
Palavras-chave:
quilombos, fabulação crítica, contracolonização, pedagogia, documentos históricosResumo
Durante boa parte do século XVIII, a rede quilombola dos sertões do Campo Grande dominou regiões do atual Triângulo Mineiro articulando sistemas político-econômicos complexos (com plantações, pilões, curtumes, teares, forjas de ferreiro, casas de rei, audiência, conselho, trincheiras e armadilhas contra invasores). Sua existência ameaçava a dominação escravista cristã-europeia na América, motivando sucessivas investidas para a destruição dos quilombos e incorporação de seus territórios e infraestruturas à administração colonial. Ainda assim, tal violência institucionalizada não foi capaz de extinguir os povoamentos quilombolas, mantendo-se presentes ainda hoje em diferentes recantos, cada qual cultivando modos de vida próprios. Este trabalho fundamenta e apresenta resultados iniciais de proposta metodológica de exercícios pedagógicos que mobilizam documentos coloniais sobre quilombos históricos como dispositivos de fabulação crítica contracolonial como prática especulativa situada. Como resultados iniciais relatamos oficinas realizadas com estudantes de graduação em Arquitetura e Urbanismo. A partir da ampliação e reinscrição dos vestígios documentais, lidos à luz de abordagens críticas contemporâneas comprometidas com perspectivas contracoloniais e afro-diaspóricas, propomos experimentações didáticas que transformam a relação com arquivos coloniais, ativando vínculos afetivos com ancestralidades quilombolas e reconhecendo nos povoamentos históricos não apenas formas de resistência, mas propostas concretas de planejamento insurgente.
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