Recriando Quilombos: arquivos coloniais, fabulação crítica e futuros insurgentes no ensino de Arquitetura e Urbanismo

Autores

  • Karen Pessoa Freire Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAUUSP
  • Laura de Sousa Nakel Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAUUSP https://orcid.org/0000-0002-7616-8710

Palavras-chave:

quilombos, fabulação crítica, contracolonização, pedagogia, documentos históricos

Resumo

Durante boa parte do século XVIII, a rede quilombola dos sertões do Campo Grande dominou regiões do atual Triângulo Mineiro articulando sistemas político-econômicos complexos (com plantações, pilões, curtumes, teares, forjas de ferreiro, casas de rei, audiência, conselho, trincheiras e armadilhas contra invasores). Sua existência ameaçava a dominação escravista cristã-europeia na América, motivando sucessivas investidas para a destruição dos quilombos e incorporação de seus territórios e infraestruturas à administração colonial. Ainda assim, tal violência institucionalizada não foi capaz de extinguir os povoamentos quilombolas, mantendo-se presentes ainda hoje em diferentes recantos, cada qual cultivando modos de vida próprios. Este trabalho fundamenta e apresenta resultados iniciais de proposta metodológica de exercícios pedagógicos que mobilizam documentos coloniais sobre quilombos históricos como dispositivos de fabulação crítica contracolonial como prática especulativa situada. Como resultados iniciais relatamos oficinas realizadas com estudantes de graduação em Arquitetura e Urbanismo. A partir da ampliação e reinscrição dos vestígios documentais, lidos à luz de abordagens críticas contemporâneas comprometidas com perspectivas contracoloniais e afro-diaspóricas, propomos experimentações didáticas que transformam a relação com arquivos coloniais, ativando vínculos afetivos com ancestralidades quilombolas e reconhecendo nos povoamentos históricos não apenas formas de resistência, mas propostas concretas de planejamento insurgente.

Biografia do Autor

Karen Pessoa Freire, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAUUSP

Doutoranda (desde 2025) e Mestre (2020) em História e Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo (linha de pesquisa em Cultura, Produção Material e Instituições) pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, FAU-USP. Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Paulista (2009). Bacharel e licenciada em História pela Universidade de São Paulo (2011) com ênfase em História Social da Arte e Arquitetura. Atualmente desenvolve pesquisa sobre os espaços indígenas e quilombolas, e suas interações com a colonização ocidental no cerrado, com foco no século XVIII. Tem experiência em projetos arquitetônicos comerciais e residenciais. Como docente atuou em disciplinas de História da Arte e Projeto para curso técnico de Design de Interiores e com professora convidada em disciplinas de História do Urbanismo.

Laura de Sousa Nakel, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAUUSP

Mestre e Doutoranda em História e Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo pela FAUUSP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design da Universidade de São Paulo). Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela mesma instituição com intercâmbio acadêmico da Faculdade de Arquitetura da (Msc Architettura) 'La Sapienza' Università di Roma. Pesquisadora do Laboratório de Estudos em Cultura, Cidade e Diáspora (LAbdias - FAUUSP) e pesquisadora colaboradora do LaDA (Laboratório de Design e Antropologia da ESDI-UERJ).

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Publicado

25-06-2026

Como Citar

Freire, K. P., & Nakel, L. de S. (2026). Recriando Quilombos: arquivos coloniais, fabulação crítica e futuros insurgentes no ensino de Arquitetura e Urbanismo. Revista Para Graduandos Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia De São Paulo - Campus São Paulo - REGRASP, 11(1), 281–290. Recuperado de https://regrasp.spo.ifsp.edu.br/index.php/regrasp/article/view/1352

Edição

Seção

Artigos