A atuação Do Canteiro Modelo de Conservação De Salvador e a salvaguarda da moradia popular no forte São Paulo Da Gamboa, Salvador - Bahia

Palavras-chave: popular, patrimônio cultural, assessoria técnica, restauração, fortificação

Resumo

O Canteiro Modelo de Conservação de Salvador (CMCS), parceria entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e FAUFBA (Programa Conviver), tem uma de suas áreas de atuação na Gamboa de Baixo com o objetivo central de salvaguardar a moradia popular no Forte São Paulo da Gamboa. O projeto busca elaborar alternativas divergentes à lógica de expulsão histórica da população negra e de baixa renda residente dos territórios tombados, tratando  a moradia popular e os modos de viver como um valor cultural a ser preservado. O trabalho envolve aspectos técnicos e sociais, utilizando de forma cruzada metodologias do campo da preservação do patrimônio e da assessoria técnica. A análise da fortificação revelou patologias como a degradação da muralha pela ação do mar, vegetação e a contaminação por esgoto (Nitrato), mas confirmou a estabilidade estrutural do Forte, construído predominantemente em alvenaria de pedra. Os resultados  incluem o Projeto de Recuperação da Muralha e o Projeto Arquitetônico de Habitação Social, que prevê 9 unidades (entre 45m² a 55m²) dentro da fortificação, 3 unidades no entorno imediato e outras 8 unidades em outras localidades da comunidade fora do Forte. A metodologia propõe uma associação entre o trabalho técnico e a participação popular, por meio de reuniões e oficinas colaborativas. A conclusão ressalta que a recuperação do monumento e a permanência das famílias são, além de ações compatíveis, respeitando o valor histórico e a função social, essenciais para preservação e manutenção do conjunto edificado. Ressalta-se o engajamento comunitário, que se inicia antes da entrada do canteiro no território, crucial para as intervenções e as próximas etapas do projeto.

Biografia do Autor

Mariana Laert Costa de Almeida, Universidade Federal da Bahia

Graduada em Arquitetura e Urbanismo (2020.2), e em Psicologia (2013.2), pela Universidade Federal da Bahia. Possuo experiência na área de projeto arquitetônico, gestão e acompanhamento de obras. Interesse nas áreas de arquitetura social, urbanismo, assessoria técnica, atuação em territórios populares, patrimônio, políticas urbanas e habitacionais. Atualmente, mestranda do MP-CECRE, na área de estudo de Sítios e Conjuntos urbanos tombados.

Daniel Marostegan e Carneiro, Universidade Federal da Bahia

Arquiteto e Urbanista pela Universidade de São Paulo (EESC-USP 2001), mestre pelo Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade Federal de São Carlos na área de Concentração em Metodologia de Ensino (PPGE-UFSCar 2008), doutor em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU - UFBA, 2021). É professor adjunto da Faculdade de Arquitetura da UFBA, e coordenador da Residência em Arquitetura, Urbanismo e Engenharia da FAUFBA Foi sócio-fundador da organização Teia - casa de criação, que desenvolve, executa e assessora projetos e pesquisas nas áreas de desenvolvimento urbano e ambiental, arquitetura, tecnologia e construção, cultura e comunicação. Tem experiência nas áreas de arquitetura e urbanismo, tecnologia, educação e cultura atuando principalmente nos seguintes temas: assessoria técnica, extensão universitária, canteiros experimentais, projeto e construção de edificações, capacitação de trabalhadores da construção, políticas urbanas e habitacionais, periferias urbanas, urbanização de favelas e habitação de interesse social.

Nayara Amaral Muniz, Universidade Federal da Bahia

Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (2022). Atualmente é mestranda em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Sua área de concentração é Planejamento Urbano e Regional, com ênfase em disputas territoriais pelo Direito à Cidade, tendo como foco principal estudos sobre políticas públicas de Habitação de Interesse Social integradas às políticas de preservação do Patrimônio Cultural. Ampla experiência de interlocução entre o poder público e movimentos sociais: foi representante da sociedade civil no Conselho de Habitação do Munícipio de Ouro Preto durante a formulação do Programa Um teto é tudo, também atuou como assessora popular do Quilombo Quingoma (Lauro de Freitas - BA) para regularização fundiária e, atualmente, é bolsista de pós-graduação no Observatório Nacional de Práticas de Acesso da Justiça, financiado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e coordenado pela Clínica de Acesso à Justiça e Tratamento de Conflitos Socioambientais da Amazônia Legal (UFPA).

Referências

Barros, I. A. (2018). Arquitetxs periféricxs: Assessoria técnica para melhorias habitacionais em casas autoconstruídas na Gamboa de Baixo [Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização, Universidade Federal da Bahia]. Repositório Institucional UFBA.
Ministério Público Federal v. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e União. (2009). Ação Civil Pública nº 2009.3300.011447 (3ª Vara Federal Cível de Salvador, 3 de agosto de 2009).
Ministério Público Federal, Defensoria Pública da União, Município de Salvador, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, & União. (2024, 12 de março). Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) nº 1.14.000.001469/2023-10.
Núcleo de Tecnologia da Preservação e da Restauração (NTPR). (2024). Cadastro, diagnóstico e projeto de intervenção no Forte São Paulo da Gamboa. Salvador: UFBA.
Salvador. (2016). Lei nº 9.148, de 8 de setembro de 2016. Dispõe sobre o Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo do Município do Salvador (LOUOS). Secretaria Municipal de Urbanismo.
Publicado
2026-04-02
Como Citar
de Almeida, M., Carneiro, D., & Muniz, N. (2026). A atuação Do Canteiro Modelo de Conservação De Salvador e a salvaguarda da moradia popular no forte São Paulo Da Gamboa, Salvador - Bahia. Revista Para Graduandos/Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia De São Paulo - Campus São Paulo - REGRASP, 11(1), 138-148. Recuperado de https://regrasp.spo.ifsp.edu.br/index.php/regrasp/article/view/1341
Seção
Artigos