O estrangeiro em Drácula de Bram Stoker

Palavras-chave: literatura fantástica, terror, Drácula, lombroso, construção do medo, gótico

Resumo

A obra gótica Drácula, de Bram Stoker (2018), evidencia a construção do medo do desconhecido a partir da figura do estrangeiro, associado ao bárbaro. Na Londres vitoriana do século XIX, tal concepção se entrelaça a um imaginário xenófobo e racista, no qual tudo que foge ao padrão cultural e étnico europeu ocidental passa a ser visto como ameaça. O discurso criminológico de Lombroso (2010), ao associar características físicas a tendências delinquentes, reforça a caracterização de Vlad Tepes como um invasor oriundo de terras “corrompidas”, mostrando certa intencionalidade. A análise bibliográfica e interpretativa, articulando o romance com o contexto histórico e cultural, indica que Stoker mobiliza estereótipos de sua época para amplificar a sensação de perigo. Os resultados revelam que o medo do desconhecido em Drácula não é apenas elemento ficcional, mas expressão literária de preconceitos estruturais do período.

Biografia do Autor

Mariana Oliveira Barbosa Pinho, IFSP, Campus São Paulo

Graduanda em Licenciatura em Letras

Thiago Antunes, IFSP, Campus São Paulo

Professor do Instituto Federal de São Paulo (IFSP). Pesquisador Colaborador do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL - Unicamp). Possui graduação (2005) e mestrado (2009) em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Possui doutorado em Teoria e História Literária pela Universidade de Campinas (2024). É membro do U-Topos (Centro de Pesquisa sobre Utopia IEL/Unicamp) e do GPLEC (Grupo de Pesquisa em Literatura e Estudos Culturais IFSP). Tem experiência nas áreas de Sociologia da Cultura e Teoria Literária, atuando principalmente nos seguintes temas: modern fantasy, utopias, distopias, literatura inglesa, modernidade e tradição.

Referências

Bitencourt, C. R. (2012). Tratado de Direito Penal: Parte Geral vol. 1. Saraiva.
Clark, S. (2020). Pensando com demônios: a ideia de bruxaria no princípio da Europa moderna. Trad. Celso Mauro Paciornik. Edusp.
Delumeau, J. (2009). História do medo no Ocidente: 1300-1800, uma cidade sitiada. Cia. das Letras.
Gonçalves, K. O. Nolli, L. R. (2016). Uma análise sobre a teoria do criminoso nato. Sala Criminal.
Kieckhefer, R. (2006). Magic in the Middle Ages. Cambridge University Press.
Lombroso, C. (2010). O Homem Delinquente. Tradução: Sebastian José Roque. Ícone.
Lovecraft, H. P. (2020). O horror sobrenatural em literatura. Iluminuras.
Richardson, M. (1959). The psychoanalysis of ghost Stories. Twentieth Century,  166, p.427.
Stoker, B. (2018). Drácula. Darkside.
Todorov, T. (2004). Introdução à literatura fantástica. Trad. Maria Clara Correa Castello. Perspectiva.
Vaz, A. D. (2005). José, Tereza, Zélia... e sua comunidade — Um território cigano. Revista Trilhos – Revista da Faculdade do Sudeste Goiano, Pires do Rio, 3(3), p. 95–109.
Publicado
2025-12-04
Como Citar
Pinho, M., & Antunes, T. (2025). O estrangeiro em Drácula de Bram Stoker. Revista Para Graduandos/Instituto Federal De Educação, Ciência E Tecnologia De São Paulo - Campus São Paulo - REGRASP, 10(4), 65-68. https://doi.org/10.47734/regrasp.v10.04.p65-68