Trilogia do confinamento, de Aldri Anunciação: a construção do drama-debate e da poética da discordância
Resumo
Este projeto desenvolve uma análise comparativa das peças Namíbia, não!; Embarque imediato; e O campo de batalha: a fantástica história de interrupção de uma guerra bem-sucedida; que compõem a Trilogia do confinamento, do dramaturgo Aldri Anunciação. Seu propósito é apontar como o autor constrói o que denomina "drama-debate" e "poética da discordância" nas três peças, estabelecendo diálogos que discutem a identidade racial e tecem relações críticas com alguns conceitos do teatro do absurdo em um ambiente que sugere a distopia. A perspectiva comparatista é favorecida pelo fato de os textos se basearem sempre no conflito entre duas personagens: os primos Antônio e André; Jovem Cidadão e Velho Cidadão; e Soldado 1 e Soldado 2. Tais relações acabam entrando em choque diante de situações-limite e cenários extremos de confinamento. Para compreender como o drama-debate é construído nas três peças, a pesquisa se propõe a analisá-las por meio da Literatura Comparada (Carvalhal, 1986); das teorias sobre teatro (Pavis, 2011; Ryngaert, 1996; e Roubine, 2003), do teatro do absurdo (Esslin, 2018) e do teatro épico (Rosenfeld, 2008); dos conceitos sobre distopia desenvolvidos por Hilário (2025); das noções de experiência expostas por Bondía (2002); das concepções étnico-raciais trabalhadas por Moura (2020); e das questões sobre a presença negra no teatro brasileiro levantadas por Mendes (1993) e Santos (2014).
Referências
Anunciação, A. (2020). Trilogia do confinamento. Perspectiva.
Bondía, J. L. (2002). Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação, (19), 20–28. Retrieved June 2025, from http://educa.fcc.org.br/pdf/rbedu/n19/n19a03.pdf
Carvalhal, T. F. (1986). Literatura comparada (Série Princípios, Vol. 58). Ática.
Esslin, M. (2018). O teatro do absurdo. Zahar.
Hilário, L. C. (2013). Teoria Crítica e Literatura: a distopia como ferramenta de análise radical da modernidade. Anuário de Literatura, 18(2), 201–215. Retrieved January 2025, from https://periodicos.ufsc.br/index.php/literatura/article/view/2175-7917.2013v18n2p201/25995
Mendes, M. G. (1993). O negro e o teatro brasileiro. Hucitec; Instituto Brasileiro de Arte e Cultura; Fundação Cultural Palmares.
Moura, C. (2020). A perda parcial da identidade étnica. In Dialética radical do Brasil negro (3rd ed.). Anita Garibaldi.
Pavis, P. (2011). Dicionário de teatro (3rd ed.; J. Guinsburg & M. L. Pereira, Trans.). Perspectiva.
Ryngaert, J.-P. (1996). Introdução à análise do teatro (P. Neves, Trans.). Martins Fontes.
Rosenfeld, A. (2008). O teatro épico (6th ed.). Perspectiva.
Roubine, J.-J. (2003). Introdução às grandes teorias do teatro (A. Telles, Trans.). Jorge Zahar.
Santos, J. R. dos. (2014). A história do negro no teatro brasileiro. Novas Direções.
Copyright (c) 2025 Danilo Moreira Freire, Carla Cristina Fernandes Souto

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